Prólogos - o início do início
Olá, Pessoal! Aqui quem fala é a Kirjava, uma dos comuniversians que quem já conhece já conhece, e quem não conhece vai conhecer ao longo das postagens deste... universo.
Começamos com o primeiro capítulo desta história, o prólogo sobre a vida de Alcebíades, que, julgo eu, pode se apresentar sozinho.
Alcebíades – O agente especial brasileiro
Era um bebê sem nome. Bem, na verdade, ele até que tinha um nome, assim como seus pais. E, embora todos sejam batizados, esses nomes iniciais não terão a menor influência e/ou pertinência no decorrer desta história, portanto, não cabe a mim dizê-los aqui. Ou sequer me dar ao trabalho de pensar nisso.
Agora, isto é um fato: Ele nasceu. E mal saiu do hospital, seus pais se meteram junto com ele em um avião e foram para o país do Hockey, gente metida e casas com portas abertas: o Canadá. Nenhum lugar em específico, apenas "O Canadá". A idéia deles era deixar o pobre garoto com pelo menos duas nacionalidades. Caso ele não fosse bem sucedido em um dos países, poderia fugir para o outro e arranjar um emprego sem maiores problemas, embora a diferença seria mais ou menos "sair-do-Brasil-e-virar-pedreiro-no-canadá" ou "sair-do-canadá-e-virar-executivo-no-Brasil", independente de qualquer especialização. E uma vez que é bastante improvável que os dois países se enfrentem seriamente em qualquer evento esportivo de maior relevância (a.k.a. hockey e futebol), ele não sofreria do clássico "coração dividido". É, isso poderia ser um motivo, mas na verdade a escolha pelo Canadá foi feita pela mãe, que simplesmente a-do-ra a Celine Dion.
Com um futuro (e pais deste tipo) pela frente, nada mais justo que o avião sofra algum sério acidente e o livre do terrível destino que o espera. E, sim, ele sofreu. Caiu bem no meio da floresta canadense, pouco antes de pousar e, segundo o Canadian Herald, foi um acidente de enormes proporções, que derrubou uma estação de esqui, matou todos os 144 passageiros, a tripulação, o faxineiro da estação de esqui, um alce e derrubou alguns pinheiros (além de matar também algumas dezenas de esquilos, pássaros e outros animais de pequeno porte, bem como um guarda da polícia montada, mas quem se importa com eles?). Acontece que o Canadian Herald, assim como qualquer outro periódico, não é lá muito confiável, quer dizer, eles acertaram todas as outras baixas (até a dos esquilos), menos a dos passageiros do avião.
E lá estava o nosso bebê, abandonado, na Tundra, chorando. Até ser encontrado por uma infeliz mamãe-alce-recém-órfã de filho. Então assim foi. O bebê foi adotado por uma manada de alces e cresceu deste jeito, mascando capim aqui, passando mal ali; dando marradas (cabeçadas) aqui, ficando desacordado por dois dias ali e por aí vai. O problema é que o Canadá não é um país que prima pelas suas reservas energéticas, logo, eles resolvem isso com algumas usinas termonucleares aqui e ali. E nossa manada em questão vivia muito próxima a uma delas (uns dois quilômetros à esquerda do terceiro montinho de neve contando a partir da pedra redonda do riacho). Não que a manada ou os funcionários se importassem muito com isso, mas o fato é que alguns deles ocasionalmente brilhavam no escuro.
Certo dia, mais ou menos uns oito anos depois, o Daily Canadian Times[1] noticiou como sendo verdade a história de um menino-alce vivendo pelas Tundras do país. Isso era quase como uma lenda urbana por lá, graças a alguns relatos que diziam ter visto o garoto com o Pé-grande, um menino-carcaju e o chupacabra. Foi uma comoção mundial. Todos ficaram penalizados pelo pobre garoto não viver na sociedade urbana e pensando no melhor para ele, trancafiaram toda a manada de alces num zoológico e puseram o menino numa escola. Nem bem deu duas semanas, uma rede de tv daqui descobriu que ele, na verdade, era brasileiro. E então o Brasil se comoveu. Foram organizadas campanhas de arrecadação de dinheiro por telefone durante shows de MPB para ajudar as crianças brasileiras que foram criadas por grupos de animais em diversos lugares do mundo[2], jornais falaram disso por semanas e especiais dominicais na tv para mostrar como ele vivia triste no Canadá tentando jogar hockey com o disco na boca. Lá pelas tantas, o governo brasileiro resolveu ceder à pressão da população e reclamar a posse do guri.
Estabelecida a "relação-Iruán", o garoto veio. Chegou com festa, jogo de futebol, show de pagode e passeio em carro de bombeiro, com direito a apresentadoras infantis fora de seu tempo e repórteres-apresentadores de reality shows. E então o Menino-alce foi esquecido dois dias depois. Algo sobre algum jogador de futebol muito feio ter traído a sua "esposa-modelo-atriz-cantora-apresentadora-jornalista", com uma outra "modelo-atriz-cantora-apresentadora-jornalista-e-esportista" em alguma boate extremamente cara do Rio de Janeiro. Por um lado isso até que foi bom pra ele, mas depois de todo o fuzuê montado o Governo tinha duas opções: ou mandam ele pra FEBEM e temos mais um problema daqui há alguns anos quando a rede de TV que o descobriu descobri-lo de novo, ou aproveitam o fato de ele estar "cru" e criam mais um Agente Especial. E desta forma, ele foi mandado para a seção de treinamento de Agentes Secretos do Governo Brasileiro.
Um adendo: Essa agência realmente existe, apesar de todos os esforços para a crença em contrário. Isso fora o fato do Brasil ser a zona que é, o que ajuda bastante a escondê-la dos olhares mais curiosos e faz com que ninguém sequer cogite a possibilidade de sua existência. Embora os poucos que a façam geralmente pensem em um bando de funcionários públicos gordos, sebentos e pesados jogando cartas em algum lugar secreto ao lado do forno da padaria do Seu Manel com um radinho de pilha sintonizado num jogo de futebol aleatório e esperando alguma notícia de última hora sobre a invasão comunista ou o fim da Guerra Fria.
Na verdade a Agência é bastante moderna. Eles contam com um enorme contingente de cientistas "que foram roubados por outros países porque o Brasil é uma merda", um grupo de agentes especiais de ações táticas, e o SIA (Sistema de Informações Automatizado - na verdade, isso foi uma piada do estagiário do setor da xérox, mas todo mundo concordou que era um bom nome, além de confundir os mais desavisados), um supercomputador com Inteligência Artificial que repassava e obtinha um grande número de informações no menor tempo possível[3], além de ser uma ótima pessoa e fazer um cafezinho tão bom quanto o da D. Wilma. Na verdade, ninguém sabe o porquê da Agência existir, mas ela existe. E trabalha muito melhor que a canadense, diga-se de passagem, afinal, eles nem têm um grupo de super-heróis decente.
De qualquer forma, o garoto foi mandado para a Agência e foi devidamente batizado de Alcebíades da Silva (novamente, a idéia do nome foi do mesmo estagiário engraçadinho do setor da xérox, como pura brincadeira, mas todo mundo concordou que era um bom nome - "até que é bonitinho", disse a D. Wilma, a tia do café). Ele foi incluído no programa de treinamento e testes, e foi assim que descobriram algo de errado na sua constituição genética. E, na seqüência de "Porrada v 5.0", descobriram que essa alteração permitia que o jovem Alcebíades pudesse se duplicar se sofresse algum impacto superior a um "tostão no braço". Assim sendo, todos evitaram lhe dar tostões. Mas, cerca de um ano depois, Alcebíades entrou em contato com algumas substâncias inofensivas na aula de química. E espirrou. Para o espanto do Dr. Moura, seu tutor, em seu lugar havia um alce. Ele espirrou de novo, e voltou a ser um garoto. E então ele entrou numa crise e ficou se transformando nos 25 minutos seguintes... "Precisamos fazer algo quanto a isso", pensou o Dr. Moura.
[1] o Canadian Herald faliu uns seis anos antes;
[2] incrivelmente, acharam um menino-koala na Austrália, mas logo se descobriu que ele era Argentino;
[3] cortando pela metade o uso dos Boys, apesar do dinheiro que os mantinha continuar vindo.
Para ver este conteúdo em seu habitat original, bem como saber mais sobre seu autor, veja o post de 14/09/2004 do Caixa de Mensagens
Começamos com o primeiro capítulo desta história, o prólogo sobre a vida de Alcebíades, que, julgo eu, pode se apresentar sozinho.
Alcebíades – O agente especial brasileiro
Era um bebê sem nome. Bem, na verdade, ele até que tinha um nome, assim como seus pais. E, embora todos sejam batizados, esses nomes iniciais não terão a menor influência e/ou pertinência no decorrer desta história, portanto, não cabe a mim dizê-los aqui. Ou sequer me dar ao trabalho de pensar nisso.
Agora, isto é um fato: Ele nasceu. E mal saiu do hospital, seus pais se meteram junto com ele em um avião e foram para o país do Hockey, gente metida e casas com portas abertas: o Canadá. Nenhum lugar em específico, apenas "O Canadá". A idéia deles era deixar o pobre garoto com pelo menos duas nacionalidades. Caso ele não fosse bem sucedido em um dos países, poderia fugir para o outro e arranjar um emprego sem maiores problemas, embora a diferença seria mais ou menos "sair-do-Brasil-e-virar-pedreiro-no-canadá" ou "sair-do-canadá-e-virar-executivo-no-Brasil", independente de qualquer especialização. E uma vez que é bastante improvável que os dois países se enfrentem seriamente em qualquer evento esportivo de maior relevância (a.k.a. hockey e futebol), ele não sofreria do clássico "coração dividido". É, isso poderia ser um motivo, mas na verdade a escolha pelo Canadá foi feita pela mãe, que simplesmente a-do-ra a Celine Dion.
Com um futuro (e pais deste tipo) pela frente, nada mais justo que o avião sofra algum sério acidente e o livre do terrível destino que o espera. E, sim, ele sofreu. Caiu bem no meio da floresta canadense, pouco antes de pousar e, segundo o Canadian Herald, foi um acidente de enormes proporções, que derrubou uma estação de esqui, matou todos os 144 passageiros, a tripulação, o faxineiro da estação de esqui, um alce e derrubou alguns pinheiros (além de matar também algumas dezenas de esquilos, pássaros e outros animais de pequeno porte, bem como um guarda da polícia montada, mas quem se importa com eles?). Acontece que o Canadian Herald, assim como qualquer outro periódico, não é lá muito confiável, quer dizer, eles acertaram todas as outras baixas (até a dos esquilos), menos a dos passageiros do avião.
E lá estava o nosso bebê, abandonado, na Tundra, chorando. Até ser encontrado por uma infeliz mamãe-alce-recém-órfã de filho. Então assim foi. O bebê foi adotado por uma manada de alces e cresceu deste jeito, mascando capim aqui, passando mal ali; dando marradas (cabeçadas) aqui, ficando desacordado por dois dias ali e por aí vai. O problema é que o Canadá não é um país que prima pelas suas reservas energéticas, logo, eles resolvem isso com algumas usinas termonucleares aqui e ali. E nossa manada em questão vivia muito próxima a uma delas (uns dois quilômetros à esquerda do terceiro montinho de neve contando a partir da pedra redonda do riacho). Não que a manada ou os funcionários se importassem muito com isso, mas o fato é que alguns deles ocasionalmente brilhavam no escuro.
Certo dia, mais ou menos uns oito anos depois, o Daily Canadian Times[1] noticiou como sendo verdade a história de um menino-alce vivendo pelas Tundras do país. Isso era quase como uma lenda urbana por lá, graças a alguns relatos que diziam ter visto o garoto com o Pé-grande, um menino-carcaju e o chupacabra. Foi uma comoção mundial. Todos ficaram penalizados pelo pobre garoto não viver na sociedade urbana e pensando no melhor para ele, trancafiaram toda a manada de alces num zoológico e puseram o menino numa escola. Nem bem deu duas semanas, uma rede de tv daqui descobriu que ele, na verdade, era brasileiro. E então o Brasil se comoveu. Foram organizadas campanhas de arrecadação de dinheiro por telefone durante shows de MPB para ajudar as crianças brasileiras que foram criadas por grupos de animais em diversos lugares do mundo[2], jornais falaram disso por semanas e especiais dominicais na tv para mostrar como ele vivia triste no Canadá tentando jogar hockey com o disco na boca. Lá pelas tantas, o governo brasileiro resolveu ceder à pressão da população e reclamar a posse do guri.
Estabelecida a "relação-Iruán", o garoto veio. Chegou com festa, jogo de futebol, show de pagode e passeio em carro de bombeiro, com direito a apresentadoras infantis fora de seu tempo e repórteres-apresentadores de reality shows. E então o Menino-alce foi esquecido dois dias depois. Algo sobre algum jogador de futebol muito feio ter traído a sua "esposa-modelo-atriz-cantora-apresentadora-jornalista", com uma outra "modelo-atriz-cantora-apresentadora-jornalista-e-esportista" em alguma boate extremamente cara do Rio de Janeiro. Por um lado isso até que foi bom pra ele, mas depois de todo o fuzuê montado o Governo tinha duas opções: ou mandam ele pra FEBEM e temos mais um problema daqui há alguns anos quando a rede de TV que o descobriu descobri-lo de novo, ou aproveitam o fato de ele estar "cru" e criam mais um Agente Especial. E desta forma, ele foi mandado para a seção de treinamento de Agentes Secretos do Governo Brasileiro.
Um adendo: Essa agência realmente existe, apesar de todos os esforços para a crença em contrário. Isso fora o fato do Brasil ser a zona que é, o que ajuda bastante a escondê-la dos olhares mais curiosos e faz com que ninguém sequer cogite a possibilidade de sua existência. Embora os poucos que a façam geralmente pensem em um bando de funcionários públicos gordos, sebentos e pesados jogando cartas em algum lugar secreto ao lado do forno da padaria do Seu Manel com um radinho de pilha sintonizado num jogo de futebol aleatório e esperando alguma notícia de última hora sobre a invasão comunista ou o fim da Guerra Fria.
Na verdade a Agência é bastante moderna. Eles contam com um enorme contingente de cientistas "que foram roubados por outros países porque o Brasil é uma merda", um grupo de agentes especiais de ações táticas, e o SIA (Sistema de Informações Automatizado - na verdade, isso foi uma piada do estagiário do setor da xérox, mas todo mundo concordou que era um bom nome, além de confundir os mais desavisados), um supercomputador com Inteligência Artificial que repassava e obtinha um grande número de informações no menor tempo possível[3], além de ser uma ótima pessoa e fazer um cafezinho tão bom quanto o da D. Wilma. Na verdade, ninguém sabe o porquê da Agência existir, mas ela existe. E trabalha muito melhor que a canadense, diga-se de passagem, afinal, eles nem têm um grupo de super-heróis decente.
De qualquer forma, o garoto foi mandado para a Agência e foi devidamente batizado de Alcebíades da Silva (novamente, a idéia do nome foi do mesmo estagiário engraçadinho do setor da xérox, como pura brincadeira, mas todo mundo concordou que era um bom nome - "até que é bonitinho", disse a D. Wilma, a tia do café). Ele foi incluído no programa de treinamento e testes, e foi assim que descobriram algo de errado na sua constituição genética. E, na seqüência de "Porrada v 5.0", descobriram que essa alteração permitia que o jovem Alcebíades pudesse se duplicar se sofresse algum impacto superior a um "tostão no braço". Assim sendo, todos evitaram lhe dar tostões. Mas, cerca de um ano depois, Alcebíades entrou em contato com algumas substâncias inofensivas na aula de química. E espirrou. Para o espanto do Dr. Moura, seu tutor, em seu lugar havia um alce. Ele espirrou de novo, e voltou a ser um garoto. E então ele entrou numa crise e ficou se transformando nos 25 minutos seguintes... "Precisamos fazer algo quanto a isso", pensou o Dr. Moura.
[1] o Canadian Herald faliu uns seis anos antes;
[2] incrivelmente, acharam um menino-koala na Austrália, mas logo se descobriu que ele era Argentino;
[3] cortando pela metade o uso dos Boys, apesar do dinheiro que os mantinha continuar vindo.
Para ver este conteúdo em seu habitat original, bem como saber mais sobre seu autor, veja o post de 14/09/2004 do Caixa de Mensagens
